Os Filmes mais escaldantes de sempre!

Daniel Baptista
Jul 28th, 2010

Com a chegada do verão e a medida que os dias tornam-se mais quentes, passa a existir um ambiente mais propício e sugestivo, “as volúpias do corpo”.

Hora divagava o meu pensamento por essas paragens, quando a minha consciência cinéfila despertou-me para um facto curioso! O de que, existem listas de filmes para quase todos os géneros e gostos cinematográficos, patrocinadas pelas mais diferentes academias, institutos e festivais. (Tomemos como exemplo o American Film Institute: 100 melhores romances, 100 melhores thrillers, as melhores bandas sonoras, e até as melhores deixas, etc.) Mas não existe nenhuma lista que inclua os melhores filmes “eróticos” de sempre.

Parece portanto que este género será um parente pobre, que é frequentemente olhado de sol saio. É muitas vezes associado indevidamente a uma espécie de “soft-porn”, (do tipo filme playboy: que se apresenta como filme sexual, ainda que não pornográfico). Apostado porem, em colmatar essa lacuna, em fazer a devida separação das águas, e sobretudo em provar que existem filmes de excelente qualidade, indexados a este subtema. Resolvi entrar no espírito do verão e criar um top 10, dedicado ao género…

Os critérios que estiveram na base das escolhas

Antes de mais, assegurar que não é nossa intenção enveredar por nenhum conteúdo quer gráfico ou visual, que possa ferir as susceptibilidades de alguém. Sendo que também, procuraremos não censurar nenhum filme de entrar para lista, sempre que a sua qualidade cinematográfica assim o justifique.

Tomamos em consideração: Obviamente o valor cinematográfico individual de cada filme, bem como o teor erótico, e o relevo do mesmo para suas histórias. Tendo como ultimo factor de análise, o impacto dos mesmos junto do público.

#1 O Ultimo Tango Em Paris: de Bernardo Bertolucci, estriou-se nas salas em 1972 e mantêm-se até a data, como o mais poderoso filme erótico alguma vez feito! Com Marlon Brando como protagonista (para muitos o melhor actor que os ecrãs de cinema alguma vez conheceram) e com Maria Schneider, o filme chocou o mundo com a sua inquietante sensualidade, e elevou os limites eróticos do cinema para outro patamar. Obteve duas nomeações para os Óscares, nas categorias de melhor realizador, e de melhor actor. Enquanto as filas de espectadores nas bilheteiras, davam a volta aos quarteirões…

#2 Império dos sentidos/Ai No Corrida: esta altamente elogiada, co-produção franco/japonesa de 1976, foi rodada quase em segredo no Japão. Será porventura o filme erótico, mais “sexual” de sempre, “apresentando diversas cenas de sexo explícito” (eventualmente, muito chocantes). Porem a mestria do realizador Nagisa Oshima, consegue emprestar um tom as mesmas, que justifica a sua existência, como contributo para melhor percepção desta a história verídica, passada no ano de 1936.

#3 Emmanuelle: desprovido da qualidade fílmica dos 2 filmes que lhe antecedem, nesta lista. O filme de 1974, que imortalizou Sylvia Kristel no papel de Emmanuelle, é no entanto um marco na história do cinema erótico em particular, e do cinema em geral. Tendo porventura como sua maior virtude, o facto de abordar a “sexualidade e o erotismo” do ponto de vista feminino. Algo que até a data, era muito pouco usual (teve uma série de sequelas, sem no entanto atingirem igual relevância).

#(4)  9 Semanas 1/2: na maioria das vezes, esta obra de 1986, não lhe vê ser creditado todo o seu valor cinematográfico. Sendo-lhe atribuídas, visões bastante redutoras. Mas este filme de Adrian Lane, que se tornou já num clássico do cinema erótico, marcou indubitavelmente os anos 80. Sendo já quase parte da cultura pop, com “cenas” que ficaram na memoria de toda uma geração. (uma oportunidade para rever, ou ver Mickey Rourke, quando ainda era galã. E Kim Bassinger em todo o seu esplendor!)

#5 Instinto Fatal: esta para os anos 90, como 9semanas1/2 esta para década de 80. Representando cada um na sua respectiva década, o expoente máximo do género. Este thriller erótico de grande qualidade, catapultou Sharon Stone para o estrelato mundial (o mais famoso descruzar de pernas do cinema). Foi realizado em 1992 pelo cineasta Holandes Paul Verhoven e co-protagonizado por Michael Douglas.



#6 Irreversível: o filme mais chocante dos últimos anos, não é de todo recomendável a pessoas mais sensíveis! Contém cenas de máxima violência e de extrema violência sexual. Que muito provavelmente estiveram na origem, dos muitos protestos e abandonos da sala de projecção, por parte de muitos espectadores, aquando da sua estreia oficial em Cannes 2002. Apresenta como seus grandes trunfos, a narrativa inversa que esta magistralmente executada, pontificada ainda pelas sublimes cenas, entre Monica Bellucci e Vincent Cassel (que formam hoje um casal na vida real).

#7 Belle De Jour: todos aqueles que estão familiarizados com este filme de Luis Buñuel de 1967, poderão a partida estranhar a sua presença aqui. Já que o filme não se preocupa em produzir cenas eróticas, visualmente objectivas, nem procura suporte junto de cenas que incluam a nudez. Buscando antes, nesse subjectivismo das cenas que ocorrem longe da vista do espectador, jogar com o seu imaginário, colocando-o na posição de voyeur. Refém de toda a sua atmosfera erótica, bem patente sobretudo no condão fetichista que o filme assume, e nas fantasias masoquistas da personagem principal (este filme transformou a actriz Catherine Deneuve, na musa do estilista Yves Saint Laurent).

# 8 Noites escaldantes/Body Heat: com este título sugestivo, o filme de estreia de Lawrence Kasdan (argumentista do O Império Contrataca e dos Salteadores Da Arca Perdida), tem sido diversas vezes considerado, como uma das melhores estreias de sempre de um novo realizador. O thriller de 1981, é possuidor de fortes elementos e influências do cinema noir dos anos 40 (desde a personagem de moral dúbia, interpretada por William Hurt, a sedutora mais pouco confiável “femme fatale”, protagonizada por Kathlenn Turner), consegue manter muitas das suas cenas, como das mais escaldantes, alguma vez filmadas.

#9 Mulholland Drive: a magnífica obra de David Lynch, não é um filme erótico na verdadeira extensão da palavra. Recebeu em Cannes2001, o premio para melhor realizador, e esta profundamente impregnada no universo “Lynchiano”. Que tem tanto de fascinante, quanto de indecifrável na maioria das vezes. Inclui no entanto uma cena, que julgo ser justificável, fazer parte deste top 10 (protagonizada pelas personagens das actrizes: Naomi Watts e Laura Harring).

#10 E Deus Criou A Mulher: este filme de Roger Vadim, fez de Brigitte Bardot uma sex symbol a escala mundial, durante as três décadas seguintes. Será talvez, dos 10 filmes aqui representados, o de menor qualidade cinematográfica! E que olhado segundo os padrões de hoje, dificilmente chocaria alguém, e muito menos seria interdito em algum pais, como aconteceu aquando da sua estreia, em 1956 (mas a cena em que a B.B, dança descalça sobre a mesa de um bar. Continua a ser dos momentos mais poderosos, que o cinema erótico já produziu!)

-Tendo eu a noção que ficaram a porta deste top10, muitos filmes importantes, por esta ou por aquela razão. Dai contar com os vossos comentários e sugestões, sobre os filmes que deveriam ou não, fazer parte desta lista…

PS: Como prometido deixei o meu comentário sobre o filme “A Origem” a pós ter assistido a estreia. A todos interessados deixo aqui um link directo ao comentário – Clique aqui

Deixamos aqui a famosa cena de Brigitte Bardot.

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  1. Dasilva diz:

    e o dança comigo? onde é que ele esta?

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  2. daniel baptista diz:

    Pois é… O Dança comigo foi daqueles que ficou a porta! Concordo plenamente que era um dos filmes que podia muito bem -fazer parte deste top, já que é um filme que transpira sensualidade. E é o musical mais “cliente” que a memoria, ou não fosse ele o “Dirty Dancing”!

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  3. David Ribeiro diz:

    Protesto ,,,,,, e orquidea selvagem???

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  4. daniel baptista diz:

    Estava quase certo de que seria questionado, acerca da ausência do Orquídea Selvagem! Estamos novamente aqui, na presença de um filme que figuraria em qualquer lista do género por direito próprio. Mas para este top, vali-me de um critério que acabou por o retirar da lista final: O de não se verificarem presenças repetidas no top quer por parte dos protagonistas, ou dos realizadores dos filmes. Optando sempre por destacar, aquele que julgava ter sido o de maior relevância (daí ter escolhido o 9semanas1/2, em vez do Orquídea… tendo por exemplo usado igual critério para escolher, entre os filmes do realizador Adrian Lane. 9semanas1/2, Atracção Fatal e Infiel).

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